Coimbra

Este fim de semana (prolongado no meu caso), foi passado entre as ruas estreitas e calcetadas de Coimbra.
Apesar de ter visitado Coimbra diversas vezes ao longo da minha vida, sempre que lá volto passo por novas experiências e capto coisas que antes não via.

Fiquei num Hotel simples mesmo na baixa junto à estação de Coimbra A, daqui conseguia visitar grande parte da zona histórica andando sempre a pé.

Primeiro dia

O primeiro dia foi marcado com alguma chuva, no entanto isso não nos impediu de iniciar a nossa visita. Começámos por andar ao longo das ruas estreitas da baixa e fomos dar ao Arco de Almedina (uma das principais entradas da cidade, que permite o acesso ao Bairro Alto da povoação), a partir daqui foi sempre a subir pelas escadas (acreditem que não é por acaso que chamam a estas escadas de Escadas do Quebra Costas).

A meio da subida há uma bifurcação, para um lado encontra-se a Torre da Contenda, Torre do Anto e o Palácio de Sobre-Ribas, também conhecido como Paço de Sub-Ripas e que é considerado um dos melhores edifícios manuelinos do país, com janelas artísticas, medalhões da renascença, pátios, etc. Para o lado oposto encontram-se a Sé Velha, o Museu Nacional****Machado de Castro, a Sé Nova e a Universidade.

Palácio Sobre-Ribas
Palácio Sobre-Ribas

Torre Anto
Torre Anto

A caminho da Universidade passámos pela Sé Velha e pelo Museu Nacional Machado de Castro, um dos mais importantes museus de belas artes e arqueologia de Portugal e que se encontra instalado no antigo Paço Episcopal de Coimbra. Como as entradas no museu são gratuitas aos domingos e feriados, decidimos regressar no dia seguinte (domingo) e visitar o museu.

Aproveitámos para visitar a Sé Velha, a única catedral portuguesa românica da época da Reconquista que sobreviveu relativamente intacta até aos nossos dias.

Claustro - Sé Velha
Claustro - Sé Velha

A sua construção começou depois da Batalha de Ourique em 1139, quando Afonso Henriques se declarou rei de Portugal e escolheu Coimbra como capital do reino. Nesta Sé está sepultado D. Sesnando, conde de Coimbra.

Vista do exterior, a Sé Velha faz lembrar um pequeno castelo, com muros altos coroados de ameias e poucas janelas, sendo estas bastante estreitas.

Já o seu interior é composto por três naves e cinco tramos, com uma cobertura em forma de abóbada de canhão. Também possui um claustro muito bonito, construído durante o reinado de Afonso II.

Quando chegámos à Universidade de Coimbra já não conseguimos entrar, uma vez que a bilheteira, localizada junto da biblioteca geral, fechava às 16:30. Como já tínhamos decidido voltar no dia seguinte para visitar o Museu Nacional, mudámos os planos e decidimos tentar visitar a universidade no dia seguinte.

Como ainda tínhamos tempo visitámos a Sé Nova que se localiza no Largo da Feira dos Estudantes, mesmo ao lado da Universidade, e caminhámos um pouco pelos arredores, passando pela Rua da Matemática, uma das ruas onde se encontram várias repúblicas estudantis.

Depois seguimos para o Penedo da Saudade / Jardim dos Poetas, um jardim Romântico que se localiza na Avenida Marnoco e Sousa. Entre a vegetação do Jardim dos Poetas e os pequenos tanques decorativos, encontram-se placas com poemas de alguns dos melhores autores portugueses, escritos no local durante o seu tempo de estudantes.

Penedo da Saudade / Jardim dos Poentas
Penedo da Saudade / Jardim dos Poentas

Segundo dia

No dia seguinte de manhã fomos ao Museu Nacional Machado de Castro e depois à Universidade de Coimbra, uma das mais antigas da Europa. A universidade foi fundada pelo D. Dinis e inicialmente foi instalada na zona do atual Largo do Carmo, em Lisboa, mais tarde foi transferida para Coimbra. Durante alguns séculos esta Universidade andou a ‘saltar’ entre Coimbra e Lisboa.

Universidade de Coimbra
Universidade de Coimbra

A Cabra - Torre da Universidade de Coimbra
A Cabra - Torre da Universidade de Coimbra

A Torre da Universidade é a imagem de marca da Universidade e da cidade de Coimbra. Tem 33,5 metros de altura e no topo existe um miradouro do qual se desfruta de uma vista ímpar sobre a cidade e o vale do Mondego. Nesta Torre encontra-se a célebre ‘cabra’, que marcava as horas do despertar e do recolher dos estudantes.

No Paço das Escolas, onde se encontra a Torre, também se encontra a Biblioteca Joanina, a mais famosa biblioteca de Portugal. Nela encontram-se cerca de 200 mil volumes que se distribuem desde o século XII ao século XIX, e versam sobretudo o Direito (civil e canónico), a Teologia e a Filosofia.

Achei bastante curioso o facto de nesta biblioteca habitar uma colónia de morcegos, que todos as noites voa pela biblioteca à procura de pequenos insetos para se alimentar, contribuindo para a longevidade dos livros. Por causa dos dejetos dos morcegos, todos os dias protegem-se as mesas e cadeiras com toalhas de couro e no dia seguinte a biblioteca é toda limpa.

Ainda neste local encontra-se a Capela de S. Miguel, com uma fachada em estilo manuelino e um imponente órgão barroco de 1733. Aproveitámos também para visitar a Prisão Medieval e Académica, localizada no piso inferior da Biblioteca Joanina, composta por pequenas salas abobadadas, sem luz direta. Entre os “presos” mais famosos da Prisão Académica destaca-se Antero de Quental, que devido a um excesso na praxe lá permaneceu por oito dias.

Já dentro da Universidade, visitámos diversas salas entre as quais a Sala Grande dos Atos / Sala dos Capelos, a Sala do Exame Privado e a Sala das Armas.

A Sala Grande dos Atos, é a principal sala da Universidade de Coimbra e local onde se realizam as principais cerimónias académicas. É também conhecida por Sala dos Capelos, nome dado à capa ornamental usada pelos Doutores da Universidade em ocasiões solenes.

A Sala do Exame Privado, era o local onde os licenciados realizavam as suas provas a Doutores e que consistia num exame oral privado, feita à porta fechada e durante a noite.

A Sala das Armas alberga as armas da extinta Guarda Real Académica, utilizadas pelos Archeiros apenas nas cerimónias académicas solenes, tais como Doutoramentos solenes e Honoris causa, a Investidura do Reitor e a Abertura Solene das Aulas.

Terceiro dia

Começámos o dia a visitar o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha onde moravam as clarissas. Devido às constantes inundações por parte do rio Mondego o Mosteiro foi destruído e completamente abandonado. Nos últimos anos foram realizadas várias obras para resgatar as ruínas das águas do Mondego e atualmente é considerado um Monumento Nacional que merece uma visita.

Mosteiro Santa Clara
Mosteiro Santa Clara

Ao final da tarde visitámos o Mosteiro de Santa Cruz e o café/restaurante de Santa Cruz localizado mesmo ao lado e que fazia lembrar o “Majestic” do Porto. Na altura estava a decorrer um concerto de piano e guitarra portuguesa (Cordis & Convidados) que fazia parte da festa de inauguração da iluminação de Natal de Coimbra.

O jantar foi numa tasca tradicional e sobejamente famosa da cidade de Coimbra: Restaurante Zé Manel Dos Ossos, localizada em plena Baixa de Coimbra. Lá podem-se saborear uns ossos divinais, entre outras iguarias deliciosas (sopa da pedra, barriguinhas de Leitão na brasa, feijoada de javali, etc.).

Foram assim os meus dias em Coimbra, uma cidade com muito encanto.