Valência
Pontos Turísticos / Viagens Julho 16th, 2011Pensamento do dia: “Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti. Pergunta, o que tu podes fazer pelo teu país.” (J. F. Kennedy)
Valência também conhecida como cidade das flores é uma cidade muito gira e que me despertou interesse em lá voltar especialmente na altura de uma das mais tradicionais festas de Valência: Festa das Fallas.
Primeiro Dia
Chegámos ao início da tarde e como a viagem de metro do aeroporto até ao centro de Valência foi fácil e rápida, deu-nos a possibilidade de aproveitar ainda um bom bocado do 1º dia. Na estação de metro do aeroporto fomos buscar o nosso cartão turístico, já encomendado pela net, que dava descontos em museus, restaurantes, lojas, etc. (descontos que podem chegar a 100%) e que nos permitia andar de metro e de autocarro durante 72 horas sem pagar mais nada. Saímos na estação de metro de Xátiva, demos uma olhadela à estação de comboios e à praça de touros e seguimos a pé para o nosso hostel que ficava relativamente perto (ABCyou Marti em Calle del Taquígrafo Martí). Foi a primeira vez que estivemos num hostel e ficámos bastante satisfeitos pois a suite tinha uma decoração muito jovem e moderna e o atendimento foi muito bom.
Começámos por passear pelas várias ruas contíguas ao hostel e acabámos por dar com o recém-restaurado Mercado do Cólon, já desprovido da sua principal função de mercado para se converter num lugar de lazer com vários restaurantes, cafés e algumas lojinhas.
Aqui apanhámos o metro para sair em Amistat, considerada uma das zonas mais populares da noite entre os jovens pois é uma zona muito estudantil onde se localizam várias faculdades e a universidade de Valência. Também é nesta zona que se encontra o Estádio de futebol de Valência.
Toda esta zona de Aragon, Praça de Xuquet e Praça das Honduras são zonas com vários bares e cafés que em dias de futebol se enchem de jovens para assistir ao jogo pela televisão. Decidimos ficar por esta zona, jantámos no Pato Mareao na Calle del Sérpis e depois fomos tomar uma das bebidas típicas de Valência: Água de Valência, bebida alcoólica feita de cava, sumo de laranja, vodka e gin; uma bebida muito boa e não muito forte.
Na volta deparámo-nos com um dos grandes problemas de Valência: o problema dos transportes à noite. O metro fecha cedo, à meia noite já está tudo fechado e a maioria dos autocarros também deixa de circular a partir das 9/10 horas. Mesmo com o mapa de autocarros não conseguimos encontrar nenhum que fosse compatível com o nosso percurso e que não demorasse imenso tempo por isso decidimos regressar a pé.
Segundo Dia – Visita à Ciutat Vella
Depois de tomar o pequeno almoço no hostel apanhámos o autocarro nº 5 e saímos na paragem Guillem de Castro-Na Jordana (os nomes das paragens em Valência, normalmente são os nomes das ruas que se cruzam perto da paragem). Na Jordana situa-se na parte norte-oeste da Ciutat Vella, perto do Paseo de la Pichina e da Puente de les Artes.
Seguimos a pé pela Na Jordana entranhando-nos aos poucos no centro histórico de Valência (Ciutat Vella) e no Bairro del Carmen. Esta zona é composta por labirintos de ruelas estreitas com uma atmosfera boémia que caracterizam todo o Bairro del Carmen. É uma zona fantástica durante o dia e durante a noite, pois os vários monumentos medievais são intercalados com animados cafés e bares, tornando-se num dos pontos principais da vida nocturna da cidade.
Aqui encontra-se a igreja e convento da Carmen, em pena Plaza del Carmen. O convento foi construído em finais do século XV para acolher as freiras clarissas e dado o grande avanço de deteorização, teve de ser recentemente sujeito a um grande restauro para poder alojar o Complexo Cultural de Las Claras (um importante museu de Valência).
Seguindo pela Calle de Roteros e chegando quase à praça das Torres de Serranos, encontra-se à esquerda um pequeno museu – “Casa de Las Rocas”, qua consiste essencialmente num armazém onde são guardados gigantes, “cabeçudos” e carros alegóricos que saem à rua na altura das festas das Fallas (vou falar mais à frente nesta festa).
As Torres de Serranos são um dos principais marcos de Valência e consistem num portal construído em 1238 que fazia parte das muralhas medievais defensivas da cidade velha. Do cimo das Torres conseguimos ter uma visão alargada da cidade e de todos os pontos históricos da mesma. Depois de descer seguimos em frente em direcção ao Palácio de la Generalidad e seguimos para a Praça de La Virgin.
A Praça de La Virgin e a Praça de La Reina encontram-se lado a lado e são as duas praças históricas mais importantes de Valência. Na Praça de La Virgen encontra-se a Basílica da Virgem dos Desamparados, a Catedral de Santa Maria de Valência e uma fonte que representa Neptuno. Antes, nesta zona existia uma mesquita árabe e pensa-se que será um dos locais onde estará guardado o Santo Graal.
Por trás da Basílica encontra-se o Recinto arqueológico de l’Almoina, que funciona no local onde a cidade foi fundada por romanos, em 138 a.C. É possível ver as impressionantes ruínas escavadas na área. Estas ruínas incluem vestígios de banhos romanos, de tumbas visigodas e de uma enfermaria medieval construída pelos mouros para as vítimas de pragas. Não chegámos a entrar mas penso que a visita deve valer a pena.
Mesmo ao lado da Basílica encontra-se a Catedral de Valência que liga a Praça de La Virgen à Praça de La Reina. Na Praça de La Reina é possível ver bem o Miguelete (Campanário da Catedral com quase 51 metros de altura), que é um dos símbolos mais importantes de Valência.
Como a fome não perdoa aproveitámos para almoçar no la Pomodoro, que se encontra numa ruela pequenina ao lado do Miguelete. Este restaurante chamou-nos à atenção pelo vestuário dos funcionário (usavam umas t-shirts muito engraçadas) e pelos pratos que tinham um ar delicioso e requintado.
Depois de almoçar descemos a praça de La Reina e virámos em direcção à Torre de Santa Catalina, um dos ícones de Valência. Nesta rua encontram-se 2 orchaterias e como tal não podíamos deixar de experimentar uma Orchata com churros, uma bebida típica de Valência. Depois, seguimos para o Mercado Central passando pela Praça Redonda, uma pequena e antiga praça cercada pelo comércio onde se podem adquirir produtos típicos de Valencia.
O Mercado Central estava fechado pelo que não conseguimos entrar mas por fora é muito bonito. Este mercado é enorme e contém várias bancas de produtos frescos oriundos das hortas plantadas nos terrenos férteis do vale do Turia. Em frente encontra-se la Lonja de la Seda, declarado Património da Humanidade em 1996 e que é considerado um dos mais belos edifícios do gótico civil mediterrâneo. A sala principal tem 17 metros de altura e é composta por 24 colunas que se abrem ao chegar ao teto como se fossem palmeiras. Pessoalmente desiludiu-nos um pouco pois estavamos à espera que fosse muito maior e que tivesse mais coisas para ver.
Depois de explorarmos bem a área em volta do Mercado seguimos pela Calle de Quart em direcção às Torres de Quart, idênticas às de Serranos, no entanto ao contrário das Torres de Serranos, nestas ainda se podem observar os buracos provocados pelos canhões da Guerra da Independência.
Continuámos pela Calle de Guillem de Castro em direcção ao Paseo de La Pechina e deparámo-nos com vários museus no caminho mas não parámos em nenhum. Seguimos directos para o Jardim Botânico que também nos desiludiu um pouco, pois era muito pequeno e o ambiente não era muito acolhedor. Decidimos então passear um pouco a pé ao longo do antigo leito do rio de Valência que foi desviado devido a uma grande inundação que ocorreu na cidade em 1957. Depois apanhámos novamente o 5 no mesmo local onde tinhamos saído de manhã e regressámos ao hostel.
No final do dia fomos jantar a um restaurante muito bom e acessível (Mossén sushi & tapas) em pleno bairro de Ruzafa na Calle Cádiz, 35 Bajo. Este restaurante tem essencialmente 2 cozinheiros, um responsável pelas tapas e outro pelo sushi. No primeiro dia pedimos apenas tapas e gostámos tanto delas e do aspecto do sushi que estava a ser preparado para outros clientes que não podíamos deixar de lá voltar no dia seguinte para apreciar o sushi, que estava uma delícia e recomenda-se.
Depois do jantar apanhámos o autocarro para a zona da Cidade das Ciências e das Artes para ver esta fantástica zona iluminada durante a noite. O regresso a casa foi feito por um autocarro noturno que pára mesmo em frente ao L’Umbracle. Ainda tivemos de esperar bastante e estávamos a pensar que já não vinha mas tal como em muitas outras paragens de Valência existe um monitor que marca o tempo que falta para o autocarro passar, por isso decidimos esperar a meia hora que marcava.
Terceiro Dia
Acordámos cedinho para visitar a Cidade das Ciências e das Artes. Este complexo prima pela sua arquitectura e é composto por várias construções:
- Hemisfèric – Imax Cinema, Planetário e Laserium. Tem o aspecto de um olho aberto que tudo vê.
- Museu das Ciências do Príncipe Filipe – Museu interativo de ciências cujo lema principal é “é proibido não tocar”.
- L’Umbracle – Trilho com plantas selvagens e que conta também com uma galeria de arte com esculturas de artistas contemporâneos.
- L’Oceanogràfic – O maior aquário oceanográfico da Europa, com 110.000 m² e com 42 milhões de litros de água.
- El Palau de les Arts Reina Sofía – Casa de ópera e de apresentações de arte. Contém quatro grandes salões: Salão Principal, Salão Magisterial, Anfiteatro e Teatro de Câmera.
- El Puente de l’Assut de l’Or – ponte que liga o lado sul com a rua Menorca, cujo pilar de 125 metros de altura é o ponto mais alto da cidade.
- A Praça Principal – Praça coberta ainda em construção, onde serão realizados concertos e eventos desportivos.
- As Torres de Valência, Castellón e Alicante – Três arranha-céus de 308, 226 e 220 metros que para já apenas existem em projecto.
Para aceder a alguns complexos existem bilhetes para todos os gostos, pois pode-se comprar os bilhetes individualmente, ou comprar um bilhete que dê acesso a vários complexos com várias combinações. Optámos por comprar um bilhete que nos dava acesso ao Oceanário, ao Museu das Ciências do Principe Filipe e ao L’Umbracle que na altura continha uma exposição de dinossouros. No entanto, acabámos por nos arrepender, pois achámos tanto o Museu das Ciências como o L’Umbracle uma desilusão. Já o Oceanário é algo verdadeiramente fantástico e enorme, passámos aqui quase o dia inteiro e adorámos.
Depois de sairmos do Oceanário decidimos regressar a pé, passando pelo parque Gulliver que fica relativamente perto do Palau de les Arts Reina Sofía. No final do dia fomos jantar novamente ao Mossén sushi & tapas e apreciar o sushi que estava mesmo muito bom.
À noite fomos para uma zona conhecida pela vida noturna e que na nossa opinião é a que tem melhor noite em Valência, começa na Praça da Virgen e prolonga-se por várias ruelas. Nestas ruelas existem imensos bares/discotecas e anda imensa gente na rua. É um local muito agradável para passar uma noite.
O regresso ao hostel foi feito a pé, passando pela Plaza do Ayuntamiento, uma praça muito bonita e que fica perto de Xátiva.
Quarto Dia
Estivemos quase para visitar o Parque Biológico de Cabecera no antigo caudal do rio Turia, mas mudámos de ideias e decidimos explorar melhor a cidade. Apanhámos o metro e saímos em Facultats (um pouco acima de Aragon) e atravessámos os Jardins del Real que ligam ao Museu das Belas Artes. Visitámos o Museu cuja entrada era gratuita e para quem gosta de pinturas e arte sacra é um museu muito extenso.
Depois de sairmos do museu atravessámos a ponte em direcção às Torres de Serranos e apanhámos o autocarro em direcção à Praça de Tetuan, onde se encontra o Convento de Santo Domingo e o Palácio de Cervelló. O Palácio faz parte do ambiente histórico de Tetuan Square e actualmente é a residência oficial dos monarcas nas suas visitas à cidade.
Tentámos visitar o Convento declarado monumento nacional em 1931, mas vedaram-nos as portas e não conseguimos perceber qual a razão. Daqui seguimos pela Carrer de la Mar para almoçar num dos restaurantes recomendados pela Paella Valenciana, o La Riuà e que fica em frente a outro restaurante do grupo Al Pomodoro. Tivemos de aguardar um pouco, pois à semelhança de muitos restaurantes em Valência este só abria às 2 da tarde.
Como ainda havia tempo, decidimos apanhar o autocarro para a zona da Cidade das Ciências e das Artes, pois do outro lado da rua encontra-se o Museu Fallero, um museu fantástico, onde se encontram expostos os vários “ninots” vencedores de cada ano na festa das Fallas. Las Fallas de Valência é um festival internacional e que coincide com a semana de 19 de Março. Todos os anos a cidade enche-se de gigantescos monumentos de papelão, chamados “ninots”, para uma competição marcada pela arte, criatividade, bom gosto e muitas vezes pela sátira.
Mais ou menos a 15 de Março as pessoas começam a trabalhar durante toda a noite para erguer mais de 700 estátuas nas ruas da cidade e praças. Estas enormes estátuas podem atingir até 20 metros de altura. Na manhã do dia 16, Valência amanhece com ruas habitadas por caricaturas e representações satíricas que criticam a política, celebridades e os acontecimentos mais relevantes na actualidade, com um grande senso de humor. Ficámos fascinados com esta festa e está combinado que um dia voltaremos a Valência na altura das festas para vivênciar este grande acontecimento.
Depois do Museu apanhámos o autocarro em direcção à praia, no entanto era preferível termos andado um pouco a pé para apanhar o metro, pois o autocarro demorou imenso tempo, deu muitas voltas e foi necessário trocar de autocarro mais ou menos perto da marina no meio do que parecia ser um bairro. Qaundo finalmente chegamos à praia deparámo-nos com um campeonato de papagaios que estava a decorrer. Fiquei totalmente fascinada pois não fazia a menor ideia da arte que existe em lançar um papagaio e das danças que se podem fazer ao som da musica. As participações podiam ser individuais ou em grupos e as de grupos eram fascinantes pois os diversos papagaios passavam pelo meio uns dos outros e nunca ficavam enrolados nos fios e por vezes tocavam no chão onde executavam uma dança para depois voltarem a voar.
À noite apanhámos o metro e saímos em Alameda (paragem localizada no antigo caudal do rio e imediatamente antes da paragem de Aragón). Neste dia decorria uma festa tradicional e regional e aproveitámos para jantar numa das muitas barraquinas que tinham sido improvisadas para a festa. Tanto as mulheres como os homens vestiam-se a rigor independentemente de serem dançarinos ou apenas pessoas comuns que foram à festa. Adorámos esta festa que é muito diferente das nossas festas tradicionais.
Quinto Dia
Voltámos a passear pelas várias ruas da cidade vella e fomos almoçar na Plaza del Reina na Taberna de La Reina, bastante conhecido pelas suas tapas. O seu modo de funcionamento foi novidade pois existe uma variedade enorme de tapas, cada uma com um palito específico. No final da refeição paga-se de acordo com o número de palitos deixados no prato, e de acordo com o tipo de palito, o preço pode variar.
Depois de almoço fomos buscar as nossas malas ao hostel e dirigimo-nos para Xátiva, onde apanhámos o metro em direcção ao aeroporto para regressar a casa.
Foram dias muito preenchidos pois ao contrário do que se possa achar a cidade de Valência tem muita coisa para ver. Numa próxima vez queremos voltar na altura das Festas de Fallero que devem ser fantásticas a julgar pelo que vimos no Museu Fallero.
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