Frase do dia: “A descoberta consiste em ver o que todo mundo viu e pensar o que ninguém pensou”.
Albert Szent-Gyorgyi

Este fim de semana (prolongado no meu caso), foi passado entre as ruas estreitas e calcetadas de Coimbra.
Apesar de ter visitado Coimbra diversas vezes ao longo da minha vida, sempre que lá volto vivêncio novas experiências e capto coisas que antes não via.

Fiquei num Hotel simples mesmo na baixa junto à estação de Coimbra A, daqui conseguia visitar grande parte da zona histórica andando sempre a pé.

O primeiro dia foi marcado com alguma chuva, no entanto isso não nos impediu de iniciar a nossa visita. Começámos por andar ao longo das ruas estreitas da baixa e fomos dar ao Arco Almedina (uma das principais entradas da cidade, que permite o acesso ao Bairro Alto da povoação), a partir daqui foi sempre a subir pelas escadas (acreditem que não é por acaso que chamam a estas escadas de Quebra-Costas :P ).
A meio da subida há uma bifurcação, para um lado encontra-se a Torre da Contenda, Torre do Anto e a Casa de Sobre-Ripas (um dos melhores edifícios manuelinos do país, com janelas artísticas, medalhões da renascença, pátios, etc.) e para o outro a Universidade.

A caminho da Universidade passámos pela Sé Velha, pelo Museu Nacional Machado de Castro e pela Sé Nova. Neste percurso também encontrámos um bar bastante conhecido entre os estudantes (Piano Negro), tivemos azar, pois em nenhum dos dias em que lá estivemos esteve aberto. Quanto ao museu, aproveitámos para o visitar no domingo pois não se paga aos feriados e domingos.
Não fomos a tempo de visitar a Universidade pois a bilheteira (localizada junto da biblioteca geral) fecha às 16:30 ao sábado.

No dia seguinte fomos então visitar a universidade de Coimbra, que é uma das mais antigas da Europa. Fundada em Lisboa por D. Dinis em 1290, foi definitivamente transferida para Coimbra em 1537, vindo a ocupar os edifícios do Paço Real Medieval.

Começámos pela Biblioteca Joanina (Casa da Livraria), a mais famosa Biblioteca de Portugal, devido ao seu estilo único. Nela encontram-se cerca de 200 mil volumes que se distribuem desde o século XII ao século XIX, e versam sobretudo o Direito (civil e canónico), a Teologia e a Filosofia.
Achei bastante curioso o facto de nesta biblioteca habitar uma colónia de morcegos, que todos as noites voa pela biblioteca à procura de pequenos insectos para se alimentar e ao mesmo tempo estão a proteger os livros. Todos os dias há um processo de proteger as mesas e cadeiras com toalhas de couro devido aos dejectos dos morcegos e no dia seguinte a biblioteca é toda limpa.

Depois seguimos para a Capela de S. Miguel, com uma fachada em estilo manuelino e um imponente órgão barroco de 1733. Visitámos também a Prisão Medieval e Académica, localizada no piso inferior da Biblioteca Joanina, composta por pequenas salas abobadadas, sem luz directa.

Seguimos então para dentro da Universidade, aí visitámos diversas salas entre as quais, a Sala dos Capelos onde actualmente têm lugar as mais importantes cerimónias académicas, designadamente os Doutoramentos solenes, “honoris causa”, Investidura do Reitor e Abertura Solene das Aulas.

Ao longo destes dias visitámos ainda outros espaços bastante interessantes, como é o caso do Mosteiro de santa-Clara-a-Velha que devido às forças das águas do Rio Mondego, foi praticamente destruído.
Visitámos ainda a Igreja de Santa Cruz e o café/restaurante de Santa Cruz localizado mesmo ao lado e que fazia lembrar o “Majestic” do Porto. Aqui assistimos a um concerto de piano e guitarra portuguesa (Cordis & Convidados) que inaugurava a iluminação de Natal de Coimbra.

Também encontrámos diversas republicas estudantis em torna da universidade, umas em melhor estado do que outras mas não conseguimos visitar a famosa Rua da Matemática, local onde se concentram várias republicas.

Quanto à noite de Coimbra posso dizer que ficámos bastante desiludidos. Percorremos as diversas ruas de Coimbra, tanto de carro como a pé e pesquisámos na net, no entanto não encontrámos nenhum local que nos fizesse lembrar a noite do Porto. Mesmo na zona da Praça da República, achámos que a noite era extremamente fraca e muito aquém do que se poderia esperar de uma cidade estudantil.

Recomendo ainda uma Tasca tradicional e sobejamente famosa da cidade de Coimbra: Zé Manel dos Ossos, localizada em plena Baixa de Coimbra. Lá podem-se saborear uns ossos divinais, entre outras iguarias deliciosas (sopa da pedra, barriguinhas de Leitão na brasa, feijoada de javali, etc.).

Aproveitem estas dicas se quiserem visitar Coimbra.