6 dias em Marrocos

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Frase do dia: “Marrocos é como uma árvore com as raízes em África, mas cujas folhas respiram o ar europeu.”
(rei Hassan II)

Em Julho eu e o meu namorado decidimos aventurar-nos por Marrocos. Antes fizemos umas pesquisas na net, contactámos algumas pessoas que já lá tinham estado e decidimos fazer um tour de 4 dias com a Ligne d’Aventure. Uma empresa que superou as nossas espectativas pela positiva.

Sendo um país onde a probreza é bastante elevada é muito comum sermos constantemente abordados para darmos uma moedinha a troco de qualquer coisa. Mal se pega no mapa vêm logo a correr para nos ajudar e temos de insistir em como não precisamos de ajuda, se queremos tirar fotos a uma praça ou às bancas, vêm logo pedir moedas, se vamos visitar um monumento, alguém se mete atrás de nós a servir de guia e no fim como é obvio querem uma moedinha, etc.. Um caso que nos aconteceu foi em Marraquexe quando íamos a descer uma rua para ver o Palácio Real e pelo caminho havia muita gente a dizer que estava fechado e que não se podia visitar nem tirar fotos. Nós não lhes perguntámos nada, o que queríamos mesmo era ver o Palácio mesmo estando encerrado, mas chatearam-nos tanto que desistimos e viemos embora. Chega a ser bastante irritante.

Marrocos é um país muito grande e as nossas férias apenas foram passadas em Marraquexe, montanhas do Alto Atlas e Anti-Atlas, Ouarzazate, Desfiladeiros de Dadès e Todra, Deserto de Merzouga e Rissani.

Marraquexe é uma cidade com vários bairros e rodeada por muralhas com 19km de comprimento e 9m de altura em alguns sítios. Ao longo destas muralhas encontram-se várias portas (Bab) que são exemplos soberbos da arquitectura mourisca.  Dentro delas encontra-se a medina e o coração desta, a Praça Jemaa el-Fna. Ainda dentro das muralhas ficam os souks (a norte da praça), kasbah e o Mellha (antigo bairro judeu). A noroeste encontra-se a cidade nova que é bastante mais ocidentalizada e que se parece mais com as nossas cidades.

Os souks de Marraquexe são os mais fascinantes de Magrebe pois estão organizados segundo o tipo de produtos comercializados. No entanto em alguns locais encontram-se à venda frigoríficos, fogões, sofás, panelas, tachos, etc. a maioria já usados e misturados com lojas de comida, roupa, jóias, cabeleireiros, talhos, etc… Vimos também um vendedor a andar de bicicleta com pernas de porco penduras para vender. A ideia com que ficámos é que qualquer pessoa pode montar qualquer negócio sem precisar de pedir licença nenhuma para tal.

As ruas são muito estreitas e atulhadas de tendinhas e de pessoas que têm de competir com motorizadas, bicicletas e carroças. Nas estradas mais largas vêm-se imensas motas e bicicletas com 3 ou 4 pessoas a equilibrarem nas mãos sacos ou garrafões de água. Não há qualquer respeito pelas sinalizações e em estradas com 2 faixas de rodagem estão constantemente 3 ou 4 carros lado a lado.

É sem sombra de dúvidas uma cultura muito diferente da nossa e é isso que torna este tipo de viagens único e enriquecedor.

De seguida vou resumir os nossos dias em Marrocos:

 

Primeiro Dia:

Chegámos ao aeroporto de Marrakech por volta das 8 da noite e como não conseguimos localizar bem a nossa Riad no mapa, por esta se localizar numa das ruas apertadas dentro da Medina, optámos por ir de taxi. Numa próxima vez já vamos de autocarro pois fica muito mais em conta.

Chegados à Riad Anabel ficámos fascinados pois a nossa suite era tipicamente marroquina e a Riad estava muito bem decorada. Uma Riad é uma casa típica de Marrocos com um jardim e pátio interiores e como normalmente tem poucos quartos o atendimento é muito personalizado.

Depois de deixar as malas e tomar um cházinho com bolinhos que nos foi oferecido, fomos jantar a um restaurante baratinho na praça Jemaa el-Fna, o Toubkal e que tinha pratos por 30DH, ou seja, menos de 3 € e no fim aventurámo-nos pela praça e pelos souks já descritos em cima.

Segundo Dia

Depois de um pequeno almoço no pátio da Riad fomos ter com o nosso guia para começar o tour de 4 dias. Seguimos em direcção a Ouarzazate pelo desfiladeiro de Tizi-n-Tichka, o mais alto de Marrocos com 2.260 m de altitude. O cume é um ponto de paragem obrigatória, um miradouro impressionante com vista para o Anti-Atlas. Todo este percurso foi construído pelos Franceses na década de 1920 e é bastante sinuoso e com paisagens entre o agreste e o verdejante.

A cerca de 30km de Ouarzazate encontra-se uma estrada secundária que faz ligação a Ksar de Ait Benhaddou, uma das povoações do género mais bem conservadas em toda a região. Esta pequena aldeia apenas com 10 famílias e menos de 50 pessoas foi classificada como Património Mundial pela UNESCO e algumas Kasbahs já foram restauradas. Este local já foi usado inumeras vezes como palco para vários filmes, entre eles Lawrence da Arábia, Diamante do Nilo, Babel e o Gladiador.

Daqui seguimos para Ouarzazate (capital do cinema), passámos pelo Atlas Filme Studios, com cerca de 30000 m2 de deserto, pelos estúdios italianos de Andromeda e pelo museu do cinema. Apenas visitámos o museu do cinema que fica em frente à grande Kasbah de Taourit no centro de Ouarzazat. Neste museu podem-se encontrar cenários enormes, objectos e preciosidades de filmes conhecidos como O Gladiador, Astérix e Obélix: missão Cleopatra. Também foram gravados vários filmes mais antigos relacionados com o tempo de Jesus: Jesus in the Shadow of the Lord, Joseph, Guiseppe and Maria Maddalena, Guida and Tommaso, Paul of Tarsus, Judas and Jesus, L’Enfant de Bethelem, Joseph, etc.. É um museu que vale a pena visitar, a entrada fica por apenas 20DH e numa das salas encontra-se o fato que o gladiador usou no filme e que podemos vestir:)

Como ainda tinhamos uma grande viagem pela frente em direccção a Dadès Gorgés, a visita à Kasbah de Taourit ficou guardada para o dia de regresso a Marrakech.

No caminho ainda vimos um casamento típico (homens e mulheres separados em tendas diferentes) e passámos pela famosa cidade das rosas: El-Kelaa M’Gouna. Toda esta região é bastante conhecida pelas rosas que crescem em todo o lado e que são colhidas todos os anos para fazer as mais variadas coisas, desde óleos, perfumes, água de rosas, sabonetes, etc. No ar sente-se um aroma fantástico devido aos produtos que as mulheres usam feitos lá. Todos os anos na Primavera realiza-se a colheita das rosas, que rende 3000 a 4000 toneladas de pétalas e em Maio ocorre o  Festival das Rosas.

Mais à frente cruzámo-nos com uma cerimónia de pedido de casamento berbere, em que o noivo vai pedir ao pai da rapariga para casar com ela e juntar as famílias. Toda a família dele vai a cantar e a festejar com ele, no entanto a noiva na maioria dos casos não sabe de nada nem conhece o noivo e tem de aceitar a decisão do pai.

À medida que atravessávamos as montanhas, estas foram-se modificando ligeiramente, pois nesta zona existe uma actividade tectónica bastante activa, que aliada a uma vasta área calcária, permitiu que se desenvolvessem grandes gargantas, canhões fluviocársicos e vales extremamente desenvolvidos dando lugar a dois desfiladeiros fabulosos: o Todra e o Dadés.

A caminho encontrámos o curso do Wadi Dadès rodeado de vegetação e que se destaca no meio da paisagem rochosa, tornando a paisagem impressionante. À medida que íamos subindo a estrada passa por ondulações geológicas espectaculares. Num dos sopés destas formações ficam as ruínas da Kasbah Aït Arbi e mais à frente as Kasbahs Tamnalt, um incrível cenário rochoso.

Ao final da tarde chegámos finalmente a Dadès Gorges (Gargantas de Dadès), um local lindíssimo com escarpas rochosas e o rio a passar por entre elas. Nesta zona encontravam-se várias pessoas a tomar banho, lavar o carro, lavar roupa, carregar garrafões de água, etc.. Na altura que fomos não se viam muitos turistas, apenas pessoas da zona que utilizam o rio para os mais variados fins.

No fim seguimos para o hotel Kasbah de la Vallee, onde jantámos e passámos essa noite. Da varanda do quarto tínhamos vista directa para o rio que fica a uns 100 metros do nosso hotel pelo que dormimos ao som da natureza e da água a correr.

Terceiro Dia

Depois de um pequeno almoço típico (doces, mel, pão marroquinho, panquecas marroquinas, leite, café, melancia, melão, etc.) seguimos para as Todra Gorges. A melhor altura para visitar estas gargantas é de manhã para se verem os contrastes das luzes. A caminho, no vale de Todra passamos por umas formações bastante curiosas talhadas nas rochas vulcânicas, num local que designam por “dedos de macaco“.

O Desfiladeiro de Todra consiste em íngemes escarpas com 300 metros de altura que se erguem de ambos os lados do estreito corredor que forma este desfiladeiro. Estas são as escarpas mais impressionantes do sul de Marrocos e são muito conhecidas pelos montanhistas experientes.

Depois de explorar um pouco as gargantas de Todra voltámos para trás para ir em direcção ao deserto de Merzouga.

À medida que seguiamos viagem as paisagens foram ficando cada vez mais áridas e quentes. A vegetação tornou-se cada vez mais rara assim como as aldeias e cafés. Finalmente parámos numa tenda berbere para recuperar um pouco do calor que estava (46ºC), tomámos um chá “quente” junto com os berberes e conversámos com eles. No fim ainda fomos ver os antigos canais de água escavados a grande profundidade e que foram utilizados durante séculos para transportar água para os palmares (zonas com palmeiras e outras vegetações).

Retomando a viagem passámos por diversos grupos que tinham como serviço levar-nos para uma zona para sermos enterrados em areia a fim de curar determinados males, como por exemplo reumatismo, artrite, etc. Confesso que tinha alguma curiosidade em ver como seria.

Finalmente avistámos a placa para o nosso restaurante/hotel, o Hotel Nomad Palace em Merzouga. Virámos e seguimos apenas um trilho traçado pelos pneus de outros carros; quem não conhece pode facilmente perder-se pois é tudo igual, tudo seco, sem árvores ou ervas e com vários trilhos traçados apenas com os pneus dos carros. Eu imagino que quando fica muito vento, os trilhos desapareçam e só quem conhece é que dê facilmente com os vários hóteis que se encontram no meio de nada.

Quando chegámos ao hotel já passava das 3 da tarde mas tínhamos o nosso almoço pronto. Depois de almoçar, indicaram-nos um quarto onde podiamos descançar e guardar as nossas coisas e passámos o resto da tarde na piscina, em pleno deserto e que não é por acaso que estava cheia de areia no fundo. Por volta das 7 da tarde começou a nossa aventura de camelo pelo deserto, andámos cerca de uma hora a camelo para atravessar o deserto e no percurso só se via areia, corvos, lagos que se formam com as chuvas mas completamente secos e algumas tendas de berberes. É tal e qual como se vê nos filmes e a areia é mesmo muito fininha.

Ainda não sabíamos como iam ser a nossas tendas mas sempre pensei que ia dormir no chão, no entanto fiquei espantada com o nosso acampamento. As tendas estavam posicionadas em redor de uma grande fogueira e a nossa tenda tinha uma cama de casal e uma indiviual, casa de banho, chuveiro, luz, etc. Porém nós fomos em pleno verão o que é considerado uma época baixa no deserto e como o nosso grupo era pequenino não lhes compensava disponibilizar todos esses serviços, pelo que a luz foi apenas fornecida pelas velas e pela lua cheia, o que tornou a experiência ainda melhor.

O jantar foi preparado no acampamento e foi o melhor tajini que comi em toda a minha vida. Estava delicioso e muito bem apuradinho. Durante a noite as temperaturas mantiveram-se relativamente altas e fomos brindados com cânticos acompanhados com jambe, tal como se vê nos filmes;).

Quarto dia

Deitámos-nos tarde na véspera mas mesmo assim acordámos às 5:30 da manhã para ver o nascer do sol. Um lindíssimo nascer do sol pois via-se perfeitamente os raios a serem projectados na areia e a atravessarem uma pequena nuvem. Por volta das 6 voltámos aos camelos e seguimos novamente através do deserto em direcção ao hotel onde ainda se encontravam as nossas malas e onde nos esperava um pequeno almoço para recuperar as forças da viagem de camelo.

Daqui seguimos para Rissani para visitar o souk (mercado) mais famoso da região e único pela venda de animais vivos. Está dividido por várias áreas: especiarias, roupas, animais (burros, ovelhas, galinhas, bovinos, coelhos, etc.), cosméticos (poucos), frutas, vegetais, carne, etc. Os “talhos” são completamente ao ar livre e não há frigoríficos e a carne para os talhos é transportada em carrinhos de mão pelas ruas do mercado completamente cheias de pessoas. Como queríamos comprar especiarias, o nosso guia levou-nos para uma tendinha que ficava muito mais escondida e cujo acesso não era perceptível para os turistas de forma a ser a mais barata. Aqui sentámo-nos com o dono e os empregados e tomámos chá e frutos secos, entre outras coisas que não sei o nome e no fim trouxemos algumas especiarias e chás da região. Uma experiência enriquecedora e única, pois apesar de estarmos com o guia ele infiltrou-se com os outros deixando-nos contactar com a cultura sozinhos.

De regresso ao jipe e à viagem, atravessámos uma zona bastante conhecida por conter muitos vestígios de metoritos. Almoçámos no hotel restaurant Kasbah Meteorites, mas não sem antes dar uns mergulhos na piscina  do hotel pois o calor era insuportável. Depois de almoço seguimos viagem e enquanto que de manhã estavam 38 graus de tarde começou a baixar para os 26 e inclusive começou a chover e a trovejar. O impressionante é que apenas choveu durante uma meia hora e foi o suficiente para se verem vários rios recém-formados ao longo das montanhas, alguns dos quais tivemos mesmo de atravessar porque passavam por cima da nossa estrada.

Depois de andarmos bastante encontrámos o maior palmar de Marrocos, o Vale de Draa, com cerca de 300km de cumprimento, um autêntico pulmão no meio de tanto solo árido. Aqui, montes de rocha negra dão lugar a altos desfiladeiros à medida que a estrada sobe em direcção ao desfiladeiro de Tizi-n-Tinifft, a 1660 m de altitude. A estrada percorre uma série de oásis e em torno deles crescem várias aldeias isoladas.

A caminho de Ouarzazate passámos por uma zona que apelidámos de “vale dos plásticos”, pois nunca vimos tantos plásticos juntos a esvoaçar e caidos no chão. Ao que parece perto existe uma zona de recolha de lixo e os plásticos voam todos de lá. É uma autêntica lixeira e impressionou-nos negativamente por não se fazer nada quanto a esta situação. Segundo o guia, sempre que o rei passa naquela zona é tudo limpo com antecedência para que ele não veja o estado em que se encontra esta zona.

Quando chegámos ao nosso hotel em Ouarzazate ficámos apaixonados pelo hotel (Dar Chamaa). De longe foi o melhor hotel onde estivemos nestes dias e tinha uma piscina e jardim lindíssimos. Escusado será dizer que apesar de ser fim de dia e não estar tanto calor como nos outros dias, fomos dar uns bons mergulhos na piscina até quase à hora de jantar. Depois jantámos junto à piscina e à luz de candeias. Neste hotel os funcionários foram muito mais atenciosos e ao contrário dos outros, aqui notou-se alguma classe e requinte no serviço e no atendimento.

Quinto Dia

Depois de tomarmos o pequeno almoço junto à piscina seguimos viagem para o centro de Ouarzazate e fomos visitar a Kasbah de Taourirt que fica em frente ao Museu do Cinema. A entrada custa apenas 20 Dh mas junto à porta encontram-se vários “guias” a oferecer os seus serviços. Conseguimos escapar porque felizmente nenhum sabia falar bem espanhol e fizemos de conta que não percebiamos nada do que diziam.

Esta Kasbah é o único edifício histórico de Ouarzazate e um momumento expansionista de Glaoui. No início do sec. XX a família Glaoui controlava o acesso ao Alto Atlas e foram os primeiros senhores a colaborar com os franceses na sua expansão para sul.

Em tempos esta Kasbah abrigou toda a família Glaoui e os seus criados e é composta por um labirinto de escadas em todos os pisos dando acesso a diferentes salas com vários tamanhos e com janelas baixas e minúsculas. Algumas das maiores salas ostentam decorações em estuque com motivos florais e geométricos e tectos de madeira  de cores vivas.

Daqui seguimos pela estrada que nos leva a Marrakech e a cerca de 2km da Ksar de Ait Benhaddou passámos pela kasbah de Tamdaght, uma Kasbah que pertenceu no sec. XIX à família de Glaoui. Ao contrário da Ksar de Ait Benhaddou que foi aumentado com o aumento da família, esta kasbah é uma única construção militar com o objectivo de mostrar a riqueza da família. Apesar de estar praticamente toda em ruínas e dar abrigo a muitas cegonhas, esta kasbah contém no seu interior algumas salas fantásticas e que ainda conservam todo o trabalhado original.

Quando entrámos não estamos nada à espera de encontrar toda a beleza que encontrámos no seu interior. É uma imagem impressionante pois apresenta um contraste entre tectos trabalhados em madeira ou gesso e muitos paineis de azulejos com as paredes em ruínas e uma sensação de autêntico abandono. Actualmente estão a tentar recuperar ligeiramente a kasbah de modo a não se perder a beleza de algumas salas que se encontram no seu interior, como aconteceu com muitas outras salas da kasbah.

Mais à frente parámos para almoçar uma típica sopa marrokina e regressámos a Marraquexe dando por encerrada a nossa expedição.

Já em Marraquech visitamos alguns pontos de interesse mas nas calmas pois tem muita coisa para ver e o tempo era curto e o nosso maior objectivo era mais andar pelas ruas da Medina sem grande destino.

No final da tarde visitámos a Mesquita da Koutoubia, apenas por fora pois a entrada é vedada a não muçulmanos. Esta mesquita é a principal imagem de Marraquech e fica a poucos metros da Praça Djema El Fna. A mesquita original foi substituída por outra, construída mesmo ao lado, porque a parede qibla da mesquita anterior não estava correctamente orientada na direcção de Meca. Ainda é possível ver os alicerces originais.

O seu Minarete, com 69 m de altura, é a construção mais alta da cidade e um marco visível a muitos kilometros, mas cuja vista inesquecível do seu topo apenas é permitida a muçulmanos.

Sexto Dia em Marraquexe

De manhã cedo levantámo-nos para visitar o palácio El Bali, o palácio da Bahia e os Túmulos Sáadicos junto à Mesquita Kasbah.

O Palácio El Bali foi construído para celebrar a vitória sobre Portugal na batalha dos três reis. Actualmente está completamente em ruínas e dá abrigo da dezenas de cegonhas. O centro é composto por uma piscina enorme rodeada de 4 piscinas mais pequenas mas também enormes e de 4 jardins. Em torno do pátio central existiam cerca de 360 quartos. Hoje pouco resta para além de paredes de pedra, as piscinas, os túneis onde se encontravam as prisões e uma torre que é possível subir.

Daqui seguimos para o Palácio da Bahia, residência do Vizir Ibn. Este palácio é considerado uma obra prima da arte Marroquina pelos seus soberbos mosaicos, estuques e esculturas em cedro. Para além de vários pátios e jardins interiores (riades), inclui uma mesquita, áreas de residência das mulheres e concubinas do Vizir e salas de recepção, abrangendo uma área total de 8 hectares. É um palácio lindíssimo e que vale a pena ser visitado.

Depois do Palácio seguimos para os Túmulos Saadinos que foram selados após a destruição do Palácio El Bali, tendo permanecido esquecidos até 1917 quando foram redescobertos. Actualmente são um dos monumentos mais visitados da cidade e toda esta área está em obras para melhorar os acessos e o aspecto. Mesmo ao lado encontra-se a Mesquita Kasbah e uma loja muito curiosa: 100 000 epices. Esta loja é um autêntico museu com vários chás, produtos de cosmética naturais, produtos de medicina, etc. Aqui encontra-se de tudo e é impossível resistir a comprar alguma coisinha.

Depois de sairmos da loja, fomos à nossa Riad buscar as malas para irmos embora. O regresso ao aeroporto foi pelo autocarro nº 19 que se apanha em frente à koutubia. Apesar de não haver sinalização que o autocarro pára nesta zona é aqui que se apanha, entre muitas outras paragens.

E assim dou por terminada a nossa expedição a Marrocos, mas só por agora. ;)

Valência

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Pensamento do dia: “Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti. Pergunta, o que tu podes fazer pelo teu país.” (J. F. Kennedy)

Valência também conhecida como cidade das flores é uma cidade muito gira e que me despertou interesse em lá voltar especialmente na altura de uma das mais tradicionais festas de Valência: Festa das Fallas.

 

Primeiro Dia

Chegámos ao início da tarde e como a viagem de metro do aeroporto até ao centro de Valência foi fácil e rápida, deu-nos a possibilidade de aproveitar ainda um bom bocado do 1º dia. Na estação de metro do aeroporto fomos buscar o nosso cartão turístico, já encomendado pela net, que dava descontos em museus, restaurantes, lojas, etc. (descontos que podem chegar a 100%) e que nos permitia andar de metro e de autocarro durante 72 horas sem pagar mais nada. Saímos na estação de metro de Xátiva, demos uma olhadela à estação de comboios e à praça de touros e seguimos a pé para o nosso hostel que ficava relativamente perto (ABCyou Marti em Calle del Taquígrafo Martí). Foi a primeira vez que estivemos num hostel e ficámos bastante satisfeitos pois a suite tinha uma decoração  muito jovem e moderna e o atendimento foi muito bom.

Começámos por passear pelas várias ruas contíguas ao hostel e acabámos por dar com o recém-restaurado Mercado do Cólon, já desprovido da sua principal função de mercado para se converter num lugar de lazer com vários restaurantes, cafés e algumas lojinhas.

Aqui apanhámos o metro para sair em Amistat, considerada uma das zonas mais populares da noite entre os jovens pois é uma zona muito estudantil onde se localizam várias faculdades e a universidade de Valência. Também é nesta zona que se encontra o Estádio de futebol de Valência.

Toda esta zona de Aragon, Praça de Xuquet e Praça das Honduras são zonas com vários bares e cafés que em dias de futebol se enchem de jovens para assistir ao jogo pela televisão. Decidimos ficar por esta zona, jantámos no Pato Mareao na Calle del Sérpis e depois fomos tomar uma das bebidas típicas de Valência: Água de Valência, bebida alcoólica feita de cava, sumo de laranja, vodka e gin; uma bebida muito boa e não muito forte.

Na volta  deparámo-nos com um dos grandes problemas de Valência: o problema dos transportes à noite. O metro fecha cedo, à meia noite já está tudo fechado e a maioria dos autocarros também deixa de circular a partir das 9/10 horas. Mesmo com o mapa de autocarros não conseguimos encontrar nenhum que fosse compatível com o nosso percurso e que não demorasse imenso tempo por isso decidimos regressar a pé.

 

Segundo Dia – Visita à Ciutat Vella

Depois de tomar o pequeno almoço no hostel apanhámos o autocarro nº 5 e saímos na paragem Guillem de Castro-Na Jordana (os nomes das paragens em Valência, normalmente são os nomes das ruas que se cruzam perto da paragem). Na Jordana situa-se na parte norte-oeste da Ciutat Vella, perto do Paseo de la Pichina e da Puente de les Artes.

Seguimos a pé pela Na Jordana entranhando-nos aos poucos no centro histórico de Valência (Ciutat Vella) e no Bairro del Carmen. Esta zona é composta por labirintos de ruelas estreitas com uma atmosfera boémia que caracterizam todo o Bairro del Carmen. É uma zona fantástica durante o dia e durante a noite, pois os vários monumentos medievais são intercalados com animados cafés e bares,  tornando-se num dos pontos principais da vida nocturna da cidade.

Aqui encontra-se a igreja e convento da Carmen, em pena Plaza del Carmen. O convento foi construído em finais do século XV para acolher as freiras clarissas e dado o grande avanço de deteorização, teve de ser recentemente sujeito a um grande restauro para poder alojar o Complexo Cultural de Las Claras (um importante museu de Valência).

Seguindo pela Calle de Roteros e chegando quase à praça das Torres de Serranos, encontra-se à esquerda um pequeno museu – “Casa de Las Rocas”, qua consiste essencialmente num armazém onde são guardados gigantes, “cabeçudos” e carros alegóricos que saem à rua na altura das festas das Fallas (vou falar mais à frente nesta festa).

As Torres de Serranos  são um dos principais marcos de Valência e consistem num portal construído em 1238 que fazia parte das muralhas medievais defensivas da cidade velha. Do cimo das Torres conseguimos ter uma visão alargada da cidade e de todos os pontos históricos da mesma. Depois de descer seguimos em frente em direcção ao Palácio de la Generalidad e seguimos para a Praça de La Virgin.

A Praça de La Virgin e a Praça de La Reina encontram-se lado a lado e são as duas praças históricas mais importantes de Valência. Na Praça de La Virgen encontra-se a Basílica da Virgem dos Desamparados, a Catedral de Santa Maria de Valência e uma fonte que representa Neptuno. Antes, nesta zona existia uma mesquita árabe e pensa-se que será um dos locais onde estará guardado o Santo Graal.

Por trás da Basílica encontra-se o Recinto arqueológico de l’Almoina, que funciona no local onde a cidade foi fundada por romanos, em 138 a.C.  É possível ver as impressionantes ruínas escavadas na área. Estas ruínas incluem vestígios de banhos romanos, de tumbas visigodas e de uma enfermaria medieval construída pelos mouros para as vítimas de pragas. Não chegámos a entrar mas penso que a visita deve valer a pena.

Mesmo ao lado da Basílica encontra-se a Catedral de Valência que liga a Praça de La Virgen à Praça de La Reina. Na Praça de La Reina é possível ver bem o Miguelete (Campanário da Catedral com quase 51 metros de altura), que é um dos símbolos mais importantes de Valência.

Como a fome não perdoa aproveitámos para almoçar no la Pomodoro, que se encontra numa ruela pequenina ao lado do Miguelete. Este restaurante chamou-nos à atenção pelo vestuário dos funcionário (usavam umas t-shirts muito engraçadas) e pelos pratos que tinham um ar delicioso e requintado.

Depois de almoçar descemos a praça de La Reina e virámos em direcção à Torre de Santa Catalina, um dos ícones de Valência. Nesta rua encontram-se 2 orchaterias e como tal não podíamos deixar de experimentar uma Orchata com churros, uma bebida típica de Valência. Depois, seguimos para o Mercado Central passando pela Praça Redonda, uma pequena e antiga praça cercada pelo comércio onde se podem adquirir produtos típicos de Valencia.

O Mercado Central estava fechado pelo que não conseguimos entrar mas por fora é muito bonito. Este mercado é enorme e contém várias bancas de produtos frescos oriundos das hortas plantadas nos terrenos férteis do vale do Turia. Em frente encontra-se la Lonja de la Seda, declarado Património da Humanidade em 1996 e que é considerado um dos mais belos edifícios do gótico civil mediterrâneo. A sala principal tem 17 metros de altura e é composta por 24 colunas que se abrem ao chegar ao teto como se fossem palmeiras. Pessoalmente desiludiu-nos um pouco pois estavamos à espera que fosse muito maior e que tivesse mais coisas para ver.

Depois de explorarmos bem a área em volta do Mercado seguimos pela Calle de Quart em direcção às Torres de Quart, idênticas às de Serranos, no entanto ao contrário das Torres de Serranos, nestas ainda se podem observar os buracos provocados pelos canhões da Guerra da Independência.

Continuámos pela Calle de Guillem de Castro em direcção ao Paseo de La Pechina e deparámo-nos com vários museus no caminho mas não parámos em nenhum. Seguimos directos para o Jardim Botânico que também nos desiludiu um pouco, pois era muito pequeno e o ambiente não era muito acolhedor. Decidimos então passear um pouco a pé ao longo do antigo leito do rio de Valência que foi desviado devido a uma grande inundação que ocorreu na cidade em 1957. Depois apanhámos novamente o 5 no mesmo local onde tinhamos saído de manhã e regressámos ao hostel.

No final do dia fomos jantar a um restaurante muito bom e acessível (Mossén sushi & tapas) em pleno bairro de Ruzafa na Calle Cádiz, 35 Bajo. Este restaurante tem essencialmente 2 cozinheiros, um responsável pelas tapas e outro pelo sushi. No primeiro dia pedimos apenas tapas e gostámos tanto delas e do aspecto do sushi que estava a ser preparado para outros clientes que não podíamos deixar de lá voltar no dia seguinte para apreciar o sushi, que estava uma delícia e recomenda-se.

Depois do jantar apanhámos o autocarro para a zona da Cidade das Ciências e das Artes para ver esta fantástica zona iluminada durante a noite. O regresso a casa foi feito por um autocarro noturno que pára mesmo em frente ao L’Umbracle. Ainda tivemos de esperar bastante e estávamos a pensar que já não vinha mas tal como em muitas outras paragens de Valência existe um monitor que marca o tempo que falta para o autocarro passar, por isso decidimos esperar a meia hora que marcava.

 

Terceiro Dia

Acordámos cedinho para visitar a Cidade  das Ciências e das Artes. Este complexo prima pela sua arquitectura e é composto por várias construções:

- Hemisfèric – Imax Cinema, Planetário e Laserium. Tem o aspecto de um olho aberto que tudo vê.

- Museu das Ciências do Príncipe Filipe – Museu interativo de ciências cujo lema principal é “é proibido não tocar”.

- L’Umbracle – Trilho com plantas selvagens e que conta também com uma galeria de arte com esculturas de artistas contemporâneos.

- L’Oceanogràfic – O maior aquário oceanográfico da Europa, com 110.000 m² e com 42 milhões de litros de água.

- El Palau de les Arts Reina Sofía – Casa de ópera e de apresentações de arte. Contém quatro grandes salões: Salão Principal, Salão Magisterial, Anfiteatro e Teatro de Câmera.

- El Puente de l’Assut de l’Or – ponte que liga o lado sul com a rua Menorca, cujo pilar de 125 metros de altura é o ponto mais alto da cidade.

- A Praça Principal – Praça coberta ainda em construção, onde serão realizados concertos e eventos desportivos.

- As Torres de Valência, Castellón e Alicante – Três arranha-céus de 308, 226 e 220 metros que para já apenas existem em projecto.

Para aceder a alguns complexos existem bilhetes para todos os gostos, pois pode-se comprar os bilhetes individualmente, ou comprar um bilhete que dê acesso a vários complexos com várias combinações. Optámos por comprar um bilhete que nos dava acesso ao Oceanário, ao Museu das Ciências do Principe Filipe e ao L’Umbracle que na altura continha uma exposição de dinossouros. No entanto, acabámos por nos arrepender, pois achámos tanto o Museu das Ciências como o L’Umbracle uma desilusão. Já o Oceanário é algo verdadeiramente fantástico e enorme, passámos aqui quase o dia inteiro e adorámos.

Depois de sairmos do Oceanário decidimos regressar a pé, passando pelo parque Gulliver que fica relativamente perto do Palau de les Arts Reina Sofía. No final do dia fomos jantar novamente ao Mossén sushi & tapas e apreciar o sushi que estava mesmo muito bom.

À noite fomos para uma zona conhecida pela vida noturna e que na nossa opinião é a que tem melhor noite em Valência, começa na Praça da Virgen e prolonga-se por várias ruelas. Nestas ruelas existem imensos bares/discotecas e anda imensa gente na rua. É um local muito agradável para passar uma noite.

O regresso ao hostel foi feito a pé, passando pela Plaza do Ayuntamiento, uma praça muito bonita e que fica perto de Xátiva.

 

Quarto Dia

Estivemos quase para visitar o Parque Biológico de Cabecera no antigo caudal do rio Turia, mas mudámos de ideias e decidimos explorar melhor a cidade. Apanhámos o metro e saímos em Facultats (um pouco acima de Aragon) e atravessámos os Jardins del Real que ligam ao Museu das Belas Artes. Visitámos o Museu cuja entrada era gratuita e para quem gosta de pinturas e arte sacra é um museu muito extenso.

Depois de sairmos do museu atravessámos a ponte em direcção às Torres de Serranos e apanhámos o autocarro em direcção à Praça de Tetuan, onde se encontra o Convento de Santo Domingo e o Palácio de Cervelló. O Palácio faz parte do ambiente histórico de Tetuan Square e actualmente é a residência oficial dos monarcas nas suas visitas à cidade.

Tentámos visitar o Convento declarado monumento nacional em 1931, mas vedaram-nos as portas e não conseguimos perceber qual a razão. Daqui seguimos pela Carrer de la Mar para almoçar num dos restaurantes recomendados pela Paella Valenciana, o La Riuà e que fica em frente a outro restaurante do grupo Al Pomodoro.  Tivemos de aguardar um pouco, pois à semelhança de muitos restaurantes em Valência este só abria às 2 da tarde.

Como ainda havia tempo, decidimos apanhar o autocarro para a zona da Cidade das Ciências e das Artes, pois do outro lado da rua encontra-se o Museu Fallero, um museu fantástico, onde se encontram expostos os vários “ninots” vencedores de cada ano na festa das Fallas. Las Fallas de Valência é um festival internacional e que coincide com a semana de 19 de Março. Todos os anos a cidade enche-se de gigantescos monumentos de papelão, chamados “ninots”, para uma competição marcada pela arte, criatividade, bom gosto e muitas vezes pela sátira.

Mais ou menos a 15 de Março as pessoas começam a trabalhar durante toda a noite para erguer mais de 700 estátuas nas ruas da cidade e praças. Estas enormes estátuas podem atingir até 20 metros de altura. Na manhã do dia 16, Valência amanhece com ruas habitadas por caricaturas e representações satíricas que criticam a política, celebridades e os acontecimentos mais relevantes na actualidade, com um grande senso de humor. Ficámos fascinados com esta festa e está combinado que um dia voltaremos a Valência na altura das festas para vivênciar este grande acontecimento.

Depois do Museu apanhámos o autocarro em direcção à praia, no entanto era preferível termos andado um pouco a pé para apanhar o metro, pois o autocarro demorou imenso tempo, deu muitas voltas e foi necessário trocar de autocarro mais ou menos perto da marina no meio do que parecia ser um bairro. Qaundo finalmente chegamos à praia deparámo-nos com um campeonato de papagaios que estava a decorrer. Fiquei totalmente fascinada pois não fazia a menor ideia da arte que existe em lançar um papagaio e das danças que se podem fazer ao som da musica. As participações podiam ser individuais ou em grupos e as de grupos eram fascinantes pois os diversos papagaios passavam pelo meio uns dos outros e nunca ficavam enrolados nos fios e por vezes tocavam no chão onde executavam uma dança para depois voltarem a voar.

À noite apanhámos o metro e saímos em Alameda (paragem localizada no antigo caudal do rio e imediatamente antes da paragem de Aragón).  Neste dia decorria uma festa tradicional e regional e aproveitámos para jantar numa das muitas barraquinas que tinham sido improvisadas para a festa. Tanto as mulheres como os homens vestiam-se a rigor independentemente de serem dançarinos ou apenas pessoas comuns que foram à festa. Adorámos esta festa que é muito diferente das nossas festas tradicionais.

 

Quinto Dia

Voltámos a passear pelas várias ruas da cidade vella e fomos almoçar na Plaza del Reina na Taberna de La Reina, bastante conhecido pelas suas tapas. O seu modo de funcionamento foi novidade pois existe uma variedade enorme de tapas, cada uma com um palito específico. No final da refeição paga-se de acordo com o número de palitos deixados no prato, e de acordo com o tipo de palito, o preço pode variar.

Depois de almoço fomos buscar as nossas malas ao hostel e dirigimo-nos para Xátiva, onde apanhámos o metro em direcção ao aeroporto para regressar a casa.

Foram dias muito preenchidos pois ao contrário do que se possa achar a cidade de Valência tem muita coisa para ver. Numa próxima vez queremos voltar na altura das Festas de Fallero que devem ser fantásticas a julgar pelo que vimos no Museu Fallero.

Paris

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Pensamento do dia: “A história da humanidade é a história das idéias.” (Ludwig von Mises)

Hoje vou-vos falar sobre Paris, cidade lindíssima e cheia de romantismo. Já faz 5 anos que visitei a cidade luz, pelo que vou tentar não me esquecer de nenhum detalhe e sintetizar o mais importante.

Estivemos lá 5 dias mas não deu para visitar tudo, pelo que ainda temos de lá voltar para ver tantas outras coisas que nos escaparam ou por não termos tempo ou por desconhecermos a sua existência.

Primeiro dia

Como chegámos já ao final da tarde, aproveitámos para dar uma voltinha numa das zonas mais boémias da cidade, onde se encontra o famoso Moulin Rouge que em francês significa Moinho Vermelho (não é por acaso que possui no terraço do seu edifício um grande moinho vermelho). Demos também uma voltinha por Montmartre e pela Basílica do Sacré Coeur, que ficam mesmo pertinho do Moulin Rouge.

Moulin Rouge Basílica do Sacré Coeur

Segundo dia

Começámos bem cedo pela zona de La Defense, o maior centro financeiro de Paris. Este distrito está na extremidade ocidental de Paris e do Eixo Histórico, que começa no Louvre, continua pelos Champs-Élysées, atravessa o Arco do Triunfo e que culmina aqui, em La Défense.

Não subimos ao Arco de La Défense pois estava a nevar ligeiramente e a visibilidade era mínima mas acredito que valha bem a pena. Daqui seguimos pelo Eixo Histórico em direcção ao Arco do Triunfo, localizado no centro de uma enorme rotunda e que foi construído em homenagem às vitórias militares de Napoleão Bonaparte. Junto a este Arco encontra-se uma homenagem ao Soldado Desconhecido.

Arco de La DéfensePormenor do Arco do Triunfo

Em vez de continuarmos a descer pelo Eixo Histórico, em direcção à praça de La Concorde, junto ao Museu do Louvre, optámos por apanhar o metro em direcção à zona do Grand Palais e Petit Palais, junto à ponte Alexandre III. O Grand Palais na altura estava em obras e a sua visita foi impossível, pelo que apenas visitámos o Petit Palais, um lindíssimo museu.

Tanto o Petit Palais, como o Grand Palais e a ponte Alexandre III fazem parte de um conjunto monumental fantástico.

De seguida, atravessámos a ponte Alexandre III, em direcção a Les Invalides (palácio dos Inválidos), que em 1670 dava abrigo aos inválidos do exército. Aqui encontra-se sepultado, entre várias personalidades ilustres, Napoleão Bonaparte, cujo corpo foi repatriado da ilha de Santa Helena em 1830. O Túmulo encontra-se na cúpula do palácio e o caixão é feito de pórfiro vermelho importado da Rússia.

Petit Palais Les Invalides

Ao inicio do entardecer fomos até à Torre Eiffel, a “Dama de Ferro” parisiense, construída para a Exposição Universal de 1889, em comemoração do centenário da Revolução. Começámos a subi-la ainda de dia e quando chegámos ao topo já era de noite. O que acabou por ser uma boa opção, uma vez que assim, vimos a beleza da torre de dia e a beleza dos contrastes das suas luzes durante a noite.

A Torre é uma estrutura metálica que comporta três plataformas e uma antena de televisão no topo. A primeira e segunda plataforma podem ser acedíveis por escadas ou por elevador, mas para a última plataforma só mesmo indo de elevador. Nas 3 plataformas encontram-se restaurantes, exposições, lojinhas, etc. pelo que serve perfeitamente para uma pessoa aguardar pelo sua vez para apanhar o elevador. Sim, porque os elevadores demoram imenso tempo entre plataformas.

Torre Eiffel

Ainda na zona da Torre Eiffel encontram-se os jardins de Trocadero e Champ de Mars que não tivemos oportunidade de ver ao pormenor, mas que vistos do topo da torre são lindíssimos.

Terceiro dia

Começámos bem cedo por visitar o museu do Louvre, considerado o museu mais importante do mundo, pela riqueza das suas colecções e pela influência que tem exercido nos restantes museus de todo o Mundo.

O museu é um vasto complexo de 200 000 m2 que compreende sete departamentos, dedicados a antiguidades egípcias, orientais, gregas e romanas, escultura, pintura e desenho. Já para não falar nas pirâmides espelhadas, nos jardins e no Arco do Carrusel.

Permanecemos aqui a manhã toda e um pouco da tarde, mas ainda tínhamos muito que andar pelo que houve alguns departamentos, com menos interesse para nós, que passámos “literalmente” a correr.

Museu do Louvre Arco do Carrusel

Daqui seguimos para a Ilha de La Cité, onde visitámos o Palácio da Justiça e a Saint Chapelle, uma capéla gótica construída no século XIII. Os seus vitrais emoldurados por um dedicado trabalho em pedra e as rosáceas acrescentadas à capela superior são considerados os mais belos e notáveis em todo o mundo.

Ainda nesta pequena ilha encontra-se a famosa Catedral de Notre Dame (Nossa Senhora), uma das mais antigas catedrais francesas em estilo gótico e que é lindíssima.

Catedral de Notre Dame Forum les Halles

Depois, apanhámos o metro em direcção ao centro comercial Forum les Halles, um shopping bastante curioso, e visitámos a igreja Saint Eustache, que é considerada a 2ª maior de Paris e que não fica muito atrás de Notre Dame. Passámos também pelo Centro Pompidou (Centro Nacional de Arte e Cultura Georges Pompidou), onde se podem ver várias obras de arquitectura, arte moderna, arte antiga, livros e esculturas. Este museu organiza várias exposições temporárias, conferências, debates, ciclos de cinema, espetáculos teatrais e shows musicais, pelo que vale a pena ir dar uma espreitadela.

No final do dia ainda tivemos tempo para dar um saltinho ao Parque de la Villette onde se localiza a cidade das ciências e da indústria. Este local é bastante interessante pois acolhe tanto exposições permanentes como temporárias, assim como um planetário, o Cinaxe, uma estrutura em movimento que projecta imagens tridimensionais, e la Géode, uma bola gigante espelhada, com uma sala de cinema lá dentro, e que projecta filmes na sua superfície esférica em formato IMAX.

Quarto dia

Levantámo-nos novamente bem cedinho e após uma viagem de comboio até Marney-sur-Vaille (Parc Disney), entrámos no reino da imaginação e voltámos a ser crianças. Percorremos os 2 parques Disney – Disneyland Park e Walt Disney Studio Park e adorámos os dois. Era como estar num mundo à parte em que as musicas nos faziam reviver momentos e filmes da nossa infância. É uma experiência única e quem vai a Paris e não vai à Disney é como ir a Roma e não ver o Papa:)

Quinto dia

Por último, no 5º dia andámos a divagar pelas ruas da cidade, passámos por alguns edifícios bem bonitos, fomos à Praça da Concórdia, local onde se guilhotinavam as pessoas na época da Revolução, e fomos aos Jardins de Luxemburgo onde se localiza o Palácio do Luxemburgo. Este jardim tem cerca de 25 hectares empedrados e relvados, povoados por estátuas e providos de grandes tanques de água onde as crianças pilotam modelos de barcos.

Completamente esgotados das férias, ainda conseguimos ir a pé, até ao Panteão, um monumento em estilo neo-clássico situado no monte de Santa Genoveva, em pleno Quartier Latin. À sua volta dispõem-se alguns edifícios de importância, como a igreja de Saint-Étienne-du-Mont, a Biblioteca de Santa Genoveva, a Universidade de Paris-I (Panthéon-Sorbone), a prefeitura do 5.º arrondissement e o Liceu Henrique IV.

E assim terminou a nossa visita a Paris, ficando ainda muita coisa por ver como:

- Cemitério do Père-Lachaise, o maior cemitério de Paris e o mais famoso do Mundo.

- Palácio de Versalhes – Palácio lindíssimo e muito luxuoso que se localiza nos subúrbios de Paris.

O Natal!

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Natal é sinónimo de família, alegria, paz e esperança, mas também é sinónimo de saudades dos que já partiram e dos que estão longe.

Natal é muito mais do que abrir presentes e comer, é um momento para dar graças pelo que se tem. É um tempo de reflexão e o início de um novo capítulo, pois o Ano Novo está próximo e todos temos desejos e projectos para 2011.

Que as cores, as luzes, os sons e os cheiros tão característicos desta época do ano e as memórias que eles trazem, aqueçam o coração de todos.

DESEJO UM EXCELENTE NATAL

E UM PRÓSPERO ANO NOVO!!

A todos um bom Natal (bis).
Que seja um bom Natal
para todos nós.

No Natal pela manhã
Ouvem-se os sinos tocar
Há uma grande alegria
No ar.

Nesta manhã de Natal
Há em todos os países
Muitos milhões de meninos
Felizes.

Vão aos saltos pela casa
Descalços ou em chinelas
Procurar as suas prendas
Tão belas.

(…)”




Weihnachtsmarkt em Frankfurt (Mercado de Natal)

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Frase do dia: “Viajar é descobrir que todo mundo está errado sobre os outros países.” (Aldous Huxley)

Este fim de semana rumámos em direcção a Frankfurt, centro financeiro de transportes da Alemanha e o maior centro financeiro da Europa continental.

Já é a segunda vez que vamos à Alemanha nesta altura do ano e recomendo, pois nesta altura do ano as ruas de praticamente todas as cidades e vilas do país enchem-se de barraquinhas com artesanato, amêndoas extremamente picantes ou amêndoas recheadas de chocolate, baileys, etc., bolos com sabor a gengibre, as famosas salsichas e o tão famoso Glühwein (vinho quente com canela). As ruas enchem-se de uma mistura de cheiros única.

Quando chegámos demos logo de caras com Hauptbahnhof, a Estação Central com cerca de 120 linhas. Como o voo se atrasou imenso não tivemos tempo para visitar mais nada nesse dia, apenas fomos jantar um Shnitzel (bife panado com batata frita) e de seguida fomos a um dos muitos bares de karaoke.

No segundo dia andámos pelas ruas da cidade, inclusive pela Zeil, a rua comercial mais popular e chique de Frankfurt e talvez de toda a Alemanha. Situa-se entre a Hauptwache e a Konstablerwache e tem uma série de lojas de relógios, roupas, sapatos, perfumarias, etc. Nesta rua encontra-se também o surpreendente MyZeil Shopping Center, de visita obrigatória pela sua arquitectura completamente fora do vulgar e que consegue deixar qualquer um de boca aberta.

MyZeil Shopping Center

Daqui seguimos em direcção ao rio Main para visitar a Catedral Dom (Kaiserdom), visível ao longe com os seus 95 metros de altura sobressaindo sobre a cidade de Frankfurt. Apesar de ser chamada de “Catedral”, a verdade é que nunca chegou a ser uma igreja episcopal. Foi construído por volta do ano 852 e dez imperadores foram aqui coroados entre 1562 e 1792.

Mesmo ao lado da Kaiserdom encontra-se o jardim arqueológico, Archäologischer Garten, por onde os imperadores passavam depois da coroação. Este jardim possui algumas escavações de uma colonização romana e de uma praça real carolíngia. Também aqui, na parte Sul da Catedral (rua Wechmarkt), encontra-se a Casa dos Tecidos de Linho, a Loja de Têxteis mais antiga de Frankfurt.

Kaiserdom (Catedral Dom) e rio Main Frankfurt, Alemanha

Continuámos a nossa visita, atravessando a ponte de ferro “Eiserner Steg”, com mais de cem anos. Nesta ponte encontram-se gravados os níveis de água das grandes cheias e é surpreendente a altura de alguns. Entre esta ponte e a ponte da Paz (Friedensbrücke) encontram-se 13 museus, pelo que esta zona se  chama: “A Margem dos Museus”.

Do outro lado do rio apreciámos as vistas da cidade e percorremos uma feira de artesanato onde se vendia de tudo, desde roupa e sapatos usados, computadores da “pré-história”, cassetes de música, velharias, etc. .

Como ainda não tinhamos almoçado e já eram umas 3 da tarde, decidimos apanhar o metro para o restaurante Apfelwein Solzer (Berger Strasse 260), um restaurante com todos os pratos típicos de Frankfurt. Aqui experimentei um prato típico confeccionado com as couves fermentadas (Sauerkraut), lombo cozido e puré de batata e para acompanhar apfelwein com sumo de laranja.

No fim provei  o shot “solzer’s mispelchen mit calvados”, uma bebida semelhante à nossa aguardente mas mais levezinha e que vem com uma alperce ou uma néspera bem docinha dentro do copo.

Restaurante Apfelwein Solzer

À noite fomos para Mainz (terra de Gutenberg), localizada na margem esquerda do rio Reno, a cerca de uma hora de comboio de Frankfurt. Esta cidade foi totalmente destruída durante a segunda guerra mundial e é considerado o berço da imprensa moderna.

Em Mainz, percorremos várias barraquinhas do Mercado de Natal e bebemos algum Glühwein. Também experimentei outras bebidas como cacau com Baileys, cacau com Rum e natas (Lumumba) e sumo de laranja quentinho. Confesso que este último foi um pouco estranho. Por volta das 9 horas seguimos para a discoteca Kuz, onde permanecemos o resto da noite (acho que nunca entrei tão cedo numa discoteca).

No segundo dia, fomos visitar a zona das grandes torres, onde se encontra o Eurotower que abriga o Banco Central Europeu (BCE), a Japan Center, as torres do Deutsche Bank, Garden Towers e o Maintower. O Maintower tem 200 m de altura é o primeiro arranha-céus em Frankfurt que oferece acesso ao público geral. No cimo do arranha-céus encontra-se um restaurante e uma plataforma para visitantes, que podem desfrutar tanto da vista da metrópole como da zona circundante ao longo do rio. Infelizmente como era domingo, encontrava-se fechado e não conseguimos subir ao cimo da torre.

Daqui prosseguimos para a Ópera “Alte Oper” e continuámos a passear pela cidade, percorrendo novamente alguns mercados de Natal e voltámos novamente à ponte de ferro para comer umas salsichas alemãs e ver o contraste das cores no rio durante a noite.

Frankfurt, Alemanha Barraquinha no Mercado de Natal

Para a próxima temos de visitar Frankfurt fora da época de Natal, pois as principais praças estão camufladas pelas barraquinhas e enfeites de Natal.

3 dias em Madrid

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Frase do dia: “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.” (Fernando Pessoa).

No fim de semana que antecedeu o feriado do 5 de Outubro rumámos em direcção a Madrid, uma cidade cuja beleza e interesse eu desconhecia completamente.

No dia da chegada fomos jantar ao El Respiro, um restaurante peculiar, onde se compram as bebidas e eles oferecem vários tipos de tapas e à medida que se vai pedindo as bebidas, a qualidade e quantidade de tapas também vai aumentando. Pode-se dizer que nessa noite não passámos nem fome nem cede.:)

O segundo dia foi passado todo ele no Parque Warner, um dos melhores parques temáticos de Espanha com os seus vários divertimentos e encantos.

O terceiro dia foi para visitar a cidade. Começámos de manhã por passar junto ao Edifício Telefónica (considerado em 1953 o maior arranha-céus de Madrid) e entrámos na loja H&M mais fantástica que alguma vez vi, em plena Gran Via.

Esta loja vale bem a pena ser visitada pois  em tempos foi um teatro ou cinema e por isso ainda conserva muita da sua beleza original.

Pormenor da loja H&M em Madrid

Logo a seguir à loja encontra-se um dos muitos El Corte Inglês, localizado junto a uma loja Fnac também bastante curiosa. No último andar do El Corte Inglês encontra-se um café de onde se tem uma vista panorâmica sobre a cidade de Madrid.

Continuámos em direcção a Puerta del Sol onde se localiza o Km 0 das estradas nacionais de Espanha e onde se encontra a famosa estátua da ursa e a árvore do Medronho, símbolo que aparece em imensos locais espalhados por Madrid.

La Puerta del Sol

Daqui seguimos em direcção ao Templo de Debod (antigo templo original do Egipto) e ao Palácio Real. Não conseguimos visitar o Palácio Real pois a fila era enorme pelo que decidimos tentar no dia seguinte.

Continuámos a nossa visita nos jardins do Palácio e na Catedral de Almudena localizada mesmo ao lado do Palácio e que se localiza sobre uma antiga muralha árabe que rodeava Madrid.

De seguida passámos por San Francisco El Grande e atravessámos a Ponte de Segovia onde apanhámos o metro para ir em direcção a Paseo de la Castellana onde se localiza o famoso complexo Quatro Torres Businness Area (4 arranha-céus fantásticos).

Continuámos a pé ao longo da avenida em direcção ao centro. Ao longo desta avenida encontra-se a maioria dos edifícios do minitérios, algumas embaixadas e a Plazza de Castilla onde se encontram 2 torres que juntas compõem a chamada Puerta da Europa. Estas 2 torres estão inclinadas cada uma em direcção à outra 15 graus em relação à vertical, com uma altura de 114 m.  e 26 pisos.

Quatro Torres Businness Area Puerta de Europa

Continuámos pela avenida, passando pelo Estádio Santiago Barnabeu e pelas Torres Picasso, Europa e BBVA. Depois apanhámos o Metro e continuámos a visita na zona do Prado. Aqui visitámos o edifício Caixa Fórum de Madrid, a Porta de Alcalá, a fonte de Cibeles, a fonte de Neptuno e os jardins do Praque del Retiro. Este parque é um autêntico pulmão de Madrid, nela encontra-se a Real Academia Espanhola, o Estanque de las Campanillas, a Estátua do Afonso VII, o Quiosque de la Música e o Palácio de Cristal (antiga estufa de plantas esóticas da rainha).

Estátua do Afonso VII Palácio de Cristal

À noite fomos comer uma tostadas deliciosas na Taberna la Aguja e tomar uns Mojitos muito bons na La Botella.

No dia seguinte conseguimos visitar o Palácio Real, também denominado de Palácio do Oriente. Este palácio é a residência oficial do Rei de Espanha e como tal só determinadas áreas do Palácio e do Jardim, estão abertas ao público.

Depois da visita ao Palácio como não nos restava muito tempo, uma vez que este era o último dia, fomos passear para a zona do Museu do Prado e da Igreja dos Jerónimos, uma igreja lindíssima.

Para além de todos estes locais referidos em cima ainda passámos por diversos locais emblemáticas de Madrid: Plaza de España, Plaza Mayor, Calle de Alcalá, Calle Mayor, Bairro da Checa, Bairro do Toledo, Calle Serrano e ainda nos deliciámos com uns famosos Churros com chocolate.

Revisitar Ilha de Maiorca

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Frase do dia: “Persistir na raiva é como apanhar um pedaço de carvão quente com a intenção de o atirar em alguém. É sempre quem levanta a pedra que se queima.” (Budha).

Pois é, cá estou outra vez de volta para contar as minhas férias  em Maiorca pelo segundo ano consecutivo.

Este ano decidimos voltar à Ilha de Maiorca para conhecer o outro lado da ilha, desta vez ficámos em Magalluf, zona bastante mais agitada e animada que Can Pastilla, onde ficámos o ano passado.

Aqui conseguimos visitar a fascinante casa de Katmandu, uma mansão do estilo tibetano colocada ao contrário (fundições para cima e telhado para baixo), com as sua imensas ilusões ópticas, robots, um cinema a 4 dimensões, etc.

Ao segundo dia decidímos alugar um carro por 2 dias e visitar a parte da ilha que ainda não conhecíamos:

1º Dia: Começámos por ir em direcção ao Porto de Andraitx, seguindo para Sa Dragonera (Ilha protegida) e percorrendo a costa da ilha, passámos por La Granja e pela encantadora aldeira de Valdemossa, local de paragem obrigatória. Esta aldeia parece saída de uma história, em que cada casa parece uma casa de bonecas, onde se tem a sensação de que o tempo parou há muitos anos.

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De seguida fomos em direcção a Puerto de Soller, onde se tivessemos chegado a tempo, podíamos ter apanhar o cruzeiro para  La Calobra, como não conseguimos apanhar, seguimos de carro, atravessando a montanha e passando por paisagens selvagens e belas.

Depois de uma boa hora a caminho, chegámos finalmente a uma linda baía rochosa chamada Sa Calobra e daí percorremos mais de 5 minutos a pé atravessando 2 túneis nas rochas até uma das mais belas Callas de Maiorca “Torrent de Pareis”, uma pequena praia na foz de um rio no meio de uma profunda garganta aberta para o mar.

Torrent de Pareis é tão bela quanto pequena para os visitantes que tem, no entanto vale bem a pena dar aqui uns mergulhos e conhecer a praia.

A caminho de Torrent de Pareis

2º Dia: Atravessámos a ilha em direcção ao Porto de Alcúdia e à Baia de Alcúdia, uma praia com quase 15 km de extensão e com água muito calminha e quentinha.

Continuámos o nosso passeio em direcção ao Cabo de Formentor, mas decidimos fazer um pequeno desvio e ir em direcção à Cala San Vicenç, uma das praias mais belas de Maiorca. Mas não ficámos por aqui, seguimos mais um pouco pela mesma estrada e ao fim de uns 2 minutos de carro chegámos a uma praia ainda mais bonita, a meu ver. Permanecemos bastante tempo aqui pois para além da água ser quentinha também tem muitas ondas.

Esta foto mostra a vista que se tem desta praia.

Perto da Cala Sant Vicenç

Daqui seguimos em direcção a Pollensa e ao Cabo de Formentor, zonas de paragem obrigatória. O cabo de Formentor é uma impressionante parede de 200 metros que se ergue repentinamente no mar.

A caminho subimos uns bons 232 metros de altitude por uma sinuosa estrada até chegar ao Miradouro El Colomer, a partir deste pode-se contemplar as escarpadas montanhas da Serra de Tramuntana e os recortados alcantilados da zona.

Continuámos descendo a montanha, passando pela praia de Formentor  e subindo outra montanha em direcção ao farol. Só de pensar que antigamente para se ir para o farol era preciso ir a pé subindo várias escadas ao longo das montanhas até me arrepia.

De regresso do Farol parámos na praia de Formentor onde decidimos permanecer o resto dia. Esta praia é lindíssima e quase que parece uma lagoa, pois está rodeada de montanhas e ilhas e em determinadas zonas  só vê terra à volta. É uma praia bastante agradável mas também bastante concorrida e é muito difícil estacionar sem ser no parque pago.

Mirador El Colomer

De resto, os dias foram passados em Magalluf onde as praias também são muito bonitas e a noite também é muito animada. Tivemos bastante sorte no Hotel que escolhemos porque apesar de estar perto da zona mais movimentada, ao mesmo tempo está numa rua mais isolada, o que nos permitia ter bastante sossego:)

Mãe

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Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!

Miguel Torga, in ‘Diário IV’

Amo-te mãe. Descança em paz. Pai, ajuda-a nesta passagem e a encontrar a paz. Amo-vos aos dois.

Cidade de Praga

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Frase do dia: “Todo aquele que conseguir a alegria deve partilhá-la”.
(Lord Byron)

Acabadinha de regressar de Praga vou-vos falar desta encantadora cidade. Neste post vou procurar dar dicas do que ver e fazer em Praga.

Praga é uma cidade atravessada pelo rio Vlatava e dividida em 5 regiões pequenas e próximas, cada qual com o seu encanto. Na margem esquerda situa-se Hradèany (onde se encontra o Castelo de Praga) e Malá Strana (Cidade Pequena), local onde viveu Bethovan. Na margem direita encontram-se Josefov (Bairro Judeu), Staré Mìsto (Cidade Velha – onde ficámos alojados) e Nové Mìsto (Cidade Nova).

Primeiro Dia:

Acordámos bem cedinho para atravessar a Ponte Karlov ou Charles Bridge enquanto não está atolada de gente. Esta ponte possui um certo encanto que nos faz recuar no tempo. Atravessada a ponte, passámos pela Igreja de St. Nicholas e seguimos pela rua Nerudova, rua conhecida pela notável simbologia das casas (casa dos 3 violinos, casa do carneiro, etc.).

Seguimos então em direcção ao Castelo e aqui assistimos à troca de guarda que decorre ao meio dia, sendo ao domingo a melhor cerimónia (sorte a nossa que era domingo:) ). Esta cerimónia é longa mas vale bem a pena cada minuto.

Aqui visitámos a Catedral de S.Vito, o Palácio Real, a Basílica de São Jorge e o Palácio de Rosenberg. De seguida descemos pelas traseiras do Castelo e seguimos em direcção à Igreja do Loreto (famosa pelo campanário), onde ouvimos a música dedicada à Virgem Maria. Voltámos à rua Nerudova e seguimos para o Mosteiro de Strahov, que infelizmente estava em obras o que só nos permitiu visitar uma sala da biblioteca mais magestosa do Mundo.

Durante o resto do dia descemos a Colina Petrin, atravessámos o Muro da Fome, procuramos infurtivamente a Igreja de São Miguel (toda em madeira), passámos pelo monumento em homenagem às vítimas do Comunismo e descançamos numa das muitas ilhas do rio Vltava atravessada pela Ponte Legíi. Passámos pelo famoso Café Slavia e mais à frente pelo Café Louvre, que é famoso pelo chocolate quente e pelos gelados.

Segundo dia

No segundo dia apanhámos o electrico em direcção a Vyton, para podermos visitar Vysherad, antiga fortaleza e núcleo histórico da cidade. Adorámos este local pelos seus jardins e principalmente pelas deslumbrantes vistas sobre o rio, o bairro de Podoli e sobre a parte sul de Praga. Aqui visitámos o cemitério de Vysherad, onde estão sepultadas grande figuras da história e cultura checa, a igreja de S. Pedro e S. Paulo e a capela de São Martinho.

De tarde visitámos Mala Strana, começando pela ilha de Kampa (rodeada pelo rio Vltava e pela Ribeira do Diabo) onde se encontra o muro dedicado a John Lennon.

Terceiro Dia

Começámos o dia por visitar o mercado Havélska e seguimos em direcção ao núcelo desta zona. Vimos a Igreja Tyn e o famoso relógio  astronómico (Orloj). Este relógio foi uma autêntica desilusão, não pela sua beleza mas porque esperávamos mais de um relógio tão famoso. Estávamos à espera que as portinhas azuis se abrissem para exibirem os apóstolos e nada, apenas as estátuas da Morte, do Avarento, do Invejoso e do Turco se mexeram. Foi uma autêntica desilusão para as centenas de turistas que ali se encontravam.

Depois de visitar esta zona fomos visitar o bairro judeu, Josefov. Partimos da Praça do Relógio, pela Avenida Parizská, onde se encontram lojas como Prada e Louis Vuitton entre outras. Neste bairro encontram-se imensos sítios para visitar: Maisel Synagoge, Spanish Synagogue (esta sinagoga é lindíssima e nela decorrem vários espectáculos de música clássica e que infelizmente não tive oportunidade de assistir), Pinkas Synagogue, o cemitério Judeu, Klaus Synagogue, Cerminonial Hall e a Old-New Synagogue.

Quarto e último dia

Dirigimo-nos de eléctrico para Výstaviště (Parque de Exposições), atravessámos o parque, em direcção ao noroeste, de forma a encontrar o acesso a Troja. Atravessámos 2 pequenas pontes pedestres deixando para trás a ilha Cisarky e aqui visitámos o deslumbrante Palácio de Troja (Trojsky Zamec) e os seus jardins.

Depois de visitar o palácio e os jardins dirigimo-nos para o Zoo de Praga (considerado o sétimo melhor do mundo em 2008). Adorámos este Zoo pela variedade de espécies mas também por todo o ambiente envolvente. Inclusive, há uma zona fechada e escura que tem morcegos a voar mesmo à nossa volta.:P

Infelizmente não tivemos tempo para visitar o Jardim Botânico que se situava um pouco mais a cima e que é lindissimo e vale a pena visitar (para quem goste).

Pequenas Curiosidades:

Nestes 4 dias que estivemos em Praga constactamos que:

  • Toda a gente sabe falar Inglês.
  • Cada família tem pelo menos um cão.
  • De noite anda muita gente a passear na rua (especialmente em Staré Mìsto).
  • Durante a semana os bares e cafés fecham mais cedo (à meia noite mandam as pessoas embora).
  • Em muitos bares e cafés existe Wi-Fi grátis.
  • Há imensos parques e jardins.
  • Os empregados de mesa gostam de aldrabar no troco.
  • Na maioria dos sitios quando se recebe a conta vem a dizer “Service not included”, pelo que deduzem que vamos deixar “gorjeta”.

Adorei Praga e recomendo a sua visita. Se alguém tiver alguma questão não exite em colocá-la pois posso poder ajudar em algum assunto.

Festival do Chocolate em Óbidos

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Frase do dia: “O que nos faz felizes é o que desfrutamos, não tanto o que temos. ”
(Charles Haddan Spurgeon)

Todos os anos, cerca de 200 mil pessoas visitam o festival do chocolate em Óbidos que prima pela sua inovação e eu não podia deixar passar ao lado este evento. Assim, no passado fim de semana fui pela primeira vez ao festival e adorei.

No Festival do Chocolate em Óbidos

Mal entrámos nas muralhas do castelo fomos logo invadidos por uma imensidão de “barraquinhas” a vender mil e uma coisas com chocolate, desde ginjinha em copos de chocolate, “chaminés” com chocolate quente, pão-de-ló de chocolate e muitos outros bolos com os mais diversos formatos, todos eles apetitosos.

Pelo caminhos encontrámos algumas exposições de chocolate das quais se destacou a exposição na antiga Igreja de São Tiago com várias esculturas em chocolate.

Quando finalmente entrámos no recinto do festival propriamente dito (na cerca do castelo), deparámo-nos com o Coliseu de Roma, a Muralha da China, Chichen Itza, Taj Mahal e a cidade de Petra “reconstruídas” em chocolate. Obras estas lindíssimas e que foram escolhidas pelos profissionais da área alimentar para representar em chocolate durante o festival deste ano.

Além destas cinco esculturas, foi também executada uma outra dedicada à cidade de Guimarães, numa homenagem a Portugal e ao berço da nacionalidade.

Segundo  me constou, só nestas 6 esculturas foram gastas três toneladas de chocolate e demoraram 6 meses a serem construídas.

Durante estes dias em que decorre o festival, alguns dos melhores chefes portugueses de cozinha fazem demonstrações de pratos com chocolate e à noite também confeccionam refeições em alguns dos restaurantes.

Só para terem alguma ideia dos pratos, há um restaurante com costeletas de borrego grelhadas com molho de chocolate e Ginja de Óbidos, outro com peito de pato com chocolate e laranja, etc. Só de ver os nomes dá-me uma fome. Não cheguei a provar nenhum destes pratos, uma vez que é necessário fazer uma pre-reserva no restaurante.

Na Cerca do Castelo existem imensos espaços dedicados ao chocolate, desde pontos de venda de chocolates, montras em chocolate executadas  por diversas pastelarias nacionais, concursos de ourives em chocolate,  cursos de chocolateria, palestras, teatro, construção de esculturas ao vivo, body painting e o espaço reservado à Chocolaterapia.

Obviamente, não podia deixar de fazer uma sessão de massagem facial com chocolate. Um… Que delicia.

Massagem Facial de Chocolate

Recomendo que visitem o festival. No próximo fim de semana vai haver passagem de modelos com chocolate, o que promete.


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